A História Secreta da Raça Humana – As Descobertas de Bourgeois

Publicado: 14 de agosto de 2010 em Livros
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As Descobertas de L. Bourgeois em Thenay, França

Em 19 de agosto de 1867, em Paris, L. Bourgeois apresentou ao Congres­so Internacional de Antropologia e Arqueologia Pré-históricas um relatório sobre instrumentos de pederneira por ele encontrados em estratos do Mioceno Inferior (com quinze a vinte milhões de anos) em Thenay, ao norte da França central. Segundo Bourgeois, eles pareciam com os tipos de instru­mentos quaternários (raspadeiras, furadores, lâminas, etc.) que encontrara na superfície da mesma região. Em quase todos os espécimes do Mioceno, ele encontrou os indícios convencionais de obra humana: excelente retocagem, lascagem simétrica e vestígios de uso.

No congresso de Paris, apenas uns poucos cientistas chegaram a admitir que aqueles fossem artefatos verdadeiros. Inabalável, Bourgeois continuou encontrando mais espécimes e convencendo individualmente paleontólogos e geólogos de que tais espécimes eram o resultado de obra intencional. Gabriel de Mortillet foi um dos primeiros a se convencer disso.

Certos cientistas questionaram a posição estratigráfica em que as peder­neiras haviam sido encontradas. Os primeiros espécimes recolhidos por Bourgeois provinham de fragmentos rochosos ao longo das laterais de um pequeno vale que cortava o platô em Thenay. Geólogos, tais como Sir John Prestwich, contestaram que aquelas eram, essencialmente, descobertas su­perficiais. Em resposta, Bourgeois cavou uma trincheira no vale e encontrou pederneiras apresentando os mesmos sinais de obra humana.

Ainda insatisfeitos, os críticos propuseram que as pederneiras encontradas na trincheira haviam chegado às suas posições através de fendas que iam daI’ no topo do platô, onde era comum encontrar instrumentos do Pleistoceno. Para refutar essa objeção, em 1869 Bourgeois abriu uma cova no topo do platô. Durante a escavação, ele se deparou com uma camada de calcário de 30 centímetros de espessura, sem fendas através das quais ferramentas de pedra do Pleistoceno pudessem ter escorregado para níveis Inferiores.

Mais para dentro de sua cova, numa profundidade de cerca de 4,20 metros em estratos do Mioceno Inferior, Bourgeois descobriu muitas ferramentas de pederneira. Mortillet declarou em Le Préhistorique: “Não havia mais dúvidas quanto à antiguidade ou à posição geológica dessas descobertas”.

Apesar dessa demonstração tão evidente, muitos cientistas mantiveram suas dúvidas irracionais. Uma demonstração clara disso ocorreu em BruxeIas, no encontro de 1872 do Congresso Internacional de Antropologia e Arqueologia Pré-históricas.

Bourgeois apresen­tou muitos espécimes, cujas figuras foram incluídas nas atas publi­cadas do Congresso. Des­crevendo um instrumento pontudo (Figura 4.3), Bourgeois afirmou: “Eis aqui um espécime parecido com uma sovela, sobre uma base ampla. A ponta do meio foi obtida por meio de retocagens regulares. Esse é um tipo comum a todas as épocas. No lado oposto, há um bulbo de percussão”.

Bourgeois descreveu outro instrumento, por ele caracterizado como uma faca ou uma ferramenta de corte: “As bordas têm retocagens regulares, e o lado oposto apresenta um bulbo de percussão”. Em muitos de seus es­pécimes, observou Bourgeois, as bordas da parte da ferramenta que seria pega pela mão mantiveram-se intactas, ao passo que aquelas das superfícies de corte apresentavam sinais de bastante uso e polimento.

Outro espécime (Figura 4.4), Bourgeois caracterizou-o com uma ponta projetícia ou uma sovela. Observou a presença de retoques nas bordas, feitos obviamente com a intenção de afiar-lhe a ponta.


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