4 poesias

Publicado: 20 de outubro de 2009 em Poemas

“Enlaças-me no conforto dos teus braços, e juntos olhamos o céu estrelado de uma noite de amor, nos beijos trocados saboreamos o paladar doce e quente da nossa paixão, no fogo das nossas línguas há um Sol imenso, que nos derrete os sentidos e nos inflama deliciosamente a pele. Despertamos o desejo num toque, numa carícia ardente que as nossas mãos se oferecem, num olhar profundo e intenso que trocamos, que nos sussurra carinhosamente ao ouvido as palavras que queremos ler e sentir. No calor destes momentos escaldantes, transpiram de nós, emoções que queimam, que nos consomem a lucidez, na chama viva do prazer, que arde em ti e em mim. Cegamos, na luxúria que nasce em nossos corpos incandescentes, que loucamente se entregam, se colam , se fundem e se amam incansáveis. Num suspiro, recuamos o tempo, fazemos o Mundo girar ao contrário, e entre lençóis, o Verão acontece, mais uma vez… Lá fora, é Inverno, está frio e a chuva cai…”

“De cabelos ao vento, vislumbro o mar revolto nas rochas morrendo, penso em ti, és o mistério de um paraíso remoto, de memórias pintadas com a limpidez de céus azuis, que se refletem neste chão virgem, abandonado aos meus pés, cansados de tanto te procurar. Esqueci-me do que sou, e já não sei o que procuro, deambulo por aqui, perdido numa ilusão apenas minha, respiro a energia do Sol, que alimenta o derradeiro caminho que as minhas mãos demandam, quando se entranham na areia fina, em busca de ti. Nesta doce saudade com cheiro de maresia, os pensamentos são feitos de sal, temperam a melodia das ondas, que se desfazem nesta praia de tantas lembranças. Aqui, não consigo deixar de te sentir, mesmo quando sei, que nada mais poderás ser, senão as pegadas de uma solitária gaivota, que a maré-alta já apagou há muito.”

“Eu desço dessa solidão… Espalho coisas sobre um chão de giz… Há meros devaneios tolos a me torturar… Fotografias recortadas em jornais de folhas,… Amiúde… Eu vou te jogar num pano de guardar confetes… Eu vou te jogar num pano de guardar confetes… Disparo balas de canhão é inútil… Pois existe um Grão-Vizir… Há tantas violetas velhas sem um colibri… Queria usar quem sabe uma camisa de força… Ou de Vênus… Mas não vou gozar de nós apenas um cigarro… Nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom… Agora pego um caminhão na lona… Vou a nocaute outra vez… Pra sempre fui acorrentado… No seu calcanhar… Meus vinte anos de “boy”… That’s over baby! Freud explica… Não vou me sujar fumando apenas um cigarro… Nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom… Quanto ao pano dos confetes já passou o meu carnaval… E isso explica porque o sexo é assunto popular… No mais estou indo embora… No mais estou indo embora… No mais…”


“Penso-te levemente, num suave arrepio que me percorre o corpo, que me desassossega, e me deixa a pele em estado de alerta, aqui, deitada sobre ti, vejo-te nos meus sonhos, encontro o momento prometido, o fruto apetecido que colhemos do nosso âmago, e nos queremos oferecer, nesta deliciosa e provocadora tentação aos sentidos. Nas tuas mãos, deixo as minhas, até ao instante em que acordarmos deste sereno sono, onde dormimos lado a lado, à distância de um toque, à distância de uma doce carícia, que não ousamos experimentar, para não quebrar a magia que sentimos fluir. Neste repouso de saudade invertida, os olhos não se fecham, contemplam-se através de loucuras que os ventos nos segredam ao ouvido, e amenizam a inquietação da espera, que é curta no tempo, exígua no espaço, mas grandiosa no sentir. O corpo, responde estremecendo, os poros despertam, o desejo instala-se, e a paixão desprende-se em gotículas perfumadas de mim e de ti, as nossas almas, presas ao mundo real, não suportam mais a ansiedade imposta pela distância, fogem, rompem as imposições, e unem-se para lá de nós, e ali, onde tudo começa, as bocas não falam, entregam-se, no sublime instante em que eu acordo, e tu me beijas os lábios entreabertos, sedentos dos teus…”

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